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Pintar uma escola — para além das paredes

Notas do projecto de reabilitação da Escola de Artes Matola Liberdade.

Pintar uma escola — para além das paredes

Quando aceitei repintar a Escola de Artes Matola Liberdade, pensei que estava só a devolver cor a paredes cansadas. Rapidamente percebi que estava a pintar memórias.

Cada corredor tinha um aluno com uma história. A tinta amarela do refeitório trouxe risadas antigas. O azul dos degraus fez uma professora chorar — era a cor da porta da sua mãe.

Trabalhar com uma comunidade obriga a ouvir. As paredes deixam de ser suporte e passam a ser autoras. Quem pinta apenas executa uma decisão que já existia, à espera de forma.

Este projecto ensinou-me que o design público é, acima de tudo, um acto de escuta.

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